Templos transformados em dormitórios, sacristia em hospitais e salões comunitários em refeitórios e abrigos. As paróquias e capelas da Arquidiocese de Porto Alegre se abriram para acolher a Deus nos corpos sofridos, fatigados e doloridos de milhares de pessoas da maior tragédia de enchentes da história riograndense. Como dizia o escritor judeu, Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. A mobilização solidária está em todas as regiões da Arquidiocese, do Estado e de todo o Brasil.
Nem a famosa enchente de 1941, que foi imensa na capital gaúcha, foi de tamanha proporção. Algo inusitado e de dimensões sem precedentes. Embora os dados mudam a cada instante, são quase 160 mil pessoas fora de casa, sendo 67.542 em abrigos e 164.583 desalojadas (nas casas de familiares ou amigos). Ao todo, 425 dos 497 municípios do estado registraram algum tipo de problema, afetando 1.476.170 pessoas. A Capital gaúcha está isolada por terra e pelo ar. As rodovias estão submersas e o aeroporto Internacional Salgado Filho foi fechado porque a pista está alagada.

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